Piscine Molitor Patel sempre foi um garoto peculiar. Digamos que sua visão do mundo era um pouco diferenciada em relação aos outros garotos de sua idade.
Ele também interpretava os animais de uma maneira diferente, além do mais mantinha contato com eles todos os dias no zoológico que seu pai mantinha na índia.
Por conta disso Piscine, ou melhor PI, causava sérias preocupações a seus pais, a ponto de, quando ainda pequeno, seu pai o obrigou a ver uma cabra sendo morta por um tigre, oque, pelo jeito deu certo, a partir desse momento PI começou a ser mais cauteloso com relação às adoráveis criaturas.
Mais tarde recebera a noticia de que irão se mudar para o Canadá, juntamente com todo o zoológico. Então seguem viagem em um cargueiro japonês, que no meio da viajem, causa um fato inesperado, (fato pelo qual se não acontecesse não haveria historia, eu não estaria escrevendo isso, e PI viveria feliz com sua família no seu novo zoológico no Canadá).
Pois bem, o cargueiro começa a afundar e o único que consegue se salvar não é, nem mais, nem menos, que nosso personagem principal, Pi Patel, agora, perdido em um bote no meio do mar, no qual, percebe não estar sozinho, logo vira-se em uma luta por sobrevivência juntamente com um tigre, uma hiena e uma zebra machucada e mais tarde sentimos a presença também de um orangotango.
Com o tempo, quer dizer, em muito pouco tempo, os animais mais fracos morrem, e PI se depara frente a frente com o tigre-de-bengala(apelidado de Richard Parker), um dos maiores predadores do mundo. E vamos falar sério, PI não era lá aquelas coisas, um menino indiano, fraco, magro, vegetariano e sensível. Imaginem como sentira-se na frente de uma fera de tal proporção.
As
Aventuras de Pi é mais que uma simples história de um naufrágio. A essência
desse livro não está em seu enredo, nem em sua narração, mas em seus
personagens – sejam eles humanos ou não.
Trata-se de um livro profundo, que abrange detalhes que fazem uma
diferença enorme para assimilação da mensagem que o livro pretende passar ao
leitor.
“Dos
pares de opostos, o pior é o tédio e o terror. Às vezes, a nossa vida parece um
pêndulo oscilando entre eles. [...]”.
Na segunda parte do livro, embarcamos enfim na história do acidente.
Fiquei aflito com os detalhes brutais apresentados pelo protagonista, pela natureza selvagem que pouco
conhecemos. Emocionei-me junto com Pi, quando ele não tinha mais
esperanças ou quando ficava inteiramente sem rumo. Foi nesses momentos que o
autor aproveitava para dar aquele toque nos nossos sentimentos.
No livro destacam-se os fatos de animais terem uma personalidade tão
marcante, e, PI um garoto tão puro e tão cheio de fé.
“O
alto atrai o baixo e o baixo atrai o alto. [...] Quanto mais baixo cairmos,
mais alto nossa mente vai querer voar.”
O fato de o livro parecer um tanto fictício poderia
ser até de propósito, é como se soubesse que a probabilidade de
acreditarmos seria tão pequena, que se tratava de algo simbólico (nem
tudo é o que parece).
Então, isso significa Pi não ficou frente a frente com um tigre? Talvez.
Que ele jamais encontrou uma ilha mortal? Talvez. Não há como saber qual interpretação é
a verdadeira nesta história. Cabe à você decidir.
É um livro que traz ensinamentos bonitos, critica nossas atitudes
comparando-as de forma indireta à dos animais; que tem profundidade e faz
diferença em nossa vida. É uma leitura única e especial. Indico a todos que tem
facilidade de compreender a filosofia, que aprecia filmes complexos e gosta de
refletir. Se, entretanto, histórias profundas demais e cheias de simbolismos
não é seu estilo favorito, acredito que a leitura não seja para você — é claro,
porém, que sempre podemos nos surpreender.
vai ai o trailer do filme, vale a pena assistir:
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